Não existe um valor fixo para uma ação trabalhista: o custo depende do que o ex-funcionário pede, do tempo de contrato, do salário e das provas de cada lado. O que existe é uma lista de componentes que, somados, costumam superar bastante o valor que a empresa imagina quando recebe a notificação.
O que compõe o custo de uma reclamação trabalhista
- Condenação principal: as verbas deferidas pelo juiz, como horas extras, verbas rescisórias, adicionais e indenizações;
- Reflexos: as horas extras e outras parcelas repercutem em 13º salário, férias com um terço, descanso semanal remunerado e FGTS, o que multiplica o valor original;
- Encargos previdenciários e fiscais: contribuição previdenciária sobre parcelas de natureza salarial;
- Correção monetária e juros: incidem desde o período do contrato até o pagamento, e o tempo de processo aumenta o valor final;
- Custas processuais: em regra de 2% sobre o valor da condenação, observados o mínimo e o teto fixados em lei (art. 789 da CLT);
- Honorários de sucumbência: entre 5% e 15% do valor da condenação, devidos ao advogado de quem vence (art. 791-A da CLT);
- Honorários periciais: em ações sobre insalubridade, periculosidade ou acidente de trabalho, o custo da perícia recai sobre a parte que perde no objeto da perícia;
- Depósito recursal: valor que a empresa precisa depositar para recorrer, atualizado periodicamente;
- Honorários do próprio advogado: custo da defesa da empresa.
Os pedidos que mais pesam no bolso
Algumas discussões têm maior impacto financeiro: o reconhecimento de vínculo de emprego (como em contratos PJ com subordinação), as horas extras sem controle de jornada válido, o adicional de insalubridade ou periculosidade, o acúmulo de função, a equiparação salarial e a indenização por dano moral. Quando mais de uma dessas discussões aparece no mesmo processo, o risco cresce de forma desproporcional.
Por que o valor costuma surpreender
A empresa costuma comparar o pedido apenas com o último salário. Na prática, o cálculo considera todo o período não prescrito do contrato, os reflexos em várias parcelas e os encargos. Pequenas falhas repetidas durante anos, como um controle de jornada irregular, viram um passivo expressivo quando discutidas de uma vez.
Como reduzir o custo
- Prevenção: auditar contratos, jornada, folha e a classificação de prestadores PJ antes de qualquer reclamação;
- Documentação: manter registros de ponto, recibos, treinamentos e advertências organizados;
- Defesa técnica desde o início: contestação específica e produção de provas no momento certo;
- Acordo calculado: comparar o risco real da condenação com o valor de uma conciliação, em cada fase do processo.
Na maioria dos casos, a forma mais econômica de lidar com o passivo trabalhista é identificá-lo antes que ele chegue à Justiça.
Leia também
- Recebi uma ação trabalhista: o que fazer
- Pejotização e o julgamento do STF
- Nova jornada 5x2: o que a empresa deve fazer
Quer saber quanto sua empresa poderia pagar em uma reclamação e onde estão os maiores riscos? Faça o diagnóstico de risco trabalhista, sem custo.
Falar no WhatsAppEste conteúdo tem caráter informativo. Percentuais, tetos e valores de depósito recursal podem ser atualizados pela legislação e pelo TST; consulte a orientação jurídica atualizada para o caso concreto.